VOCÊ ESTÁ INVESTINDO NA SUA TRANSFORMAÇÃO OU NO SEU PLANO DE FUGA?
É muito fácil acreditar em algo ou fazer uma promessa no calor do momento, como: começar a dieta, a academia, comprar o tênis de corrida caríssimo, sair do evento disposto a mudar o mundo… mas aí chega a segunda-feira, o colega de trabalho inconveniente, as tarefas de casa, a manhã chuvosa… e toda aquela certeza e entusiasmo se vão, aniquilando a sua “nova versão”.
Da mesma maneira, no calor do momento, é muito fácil sucumbir às situações negativas, com consequências que podem nos perseguir por anos. Não negligencie ou invalide os seus sentimentos e emoções. Tampouco, os transforme nos senhores da sua vida. Equilíbrio é crucial!
Quanto mais cedo você aprender a sentar-se com suas emoções, nomeá-las e lidar com elas de forma honesta e saudável, mais o seu futuro te agradecerá.
Confesso que é mais fácil falar do que fazer, principalmente quando não nos ensinaram sobre isso desde a infância. Mas, aos 38 anos, estando no controle de minhas emoções há 3, afirmo que é possível reprogramar a mente, se conhecer, aprender a estabelecer seus limites e inegociáveis, se afastando de quem não respeita a sua evolução.
A nossa mente é como uma criança, precisamos ensiná-la, e isso exige tempo, constância e humildade. Somos seres emocionais, tentando racionalizar nossas reações instintivas (a ciência já provou! Rendeu até um Nobel para o psicólogo e economista Daniel Kahneman), por isso, a relevância do autoconhecimento em todas as áreas de nossa vida.
Aqui cabe um alerta importante: cuidado com a tirania do pensamento positivo, da felicidade e alegria constantes. Aceite suas emoções, todas elas. Aprenda a agir, não a reagir. Seja autêntico, vulnerável, flexível e adaptável. Emoções são transitórias, elas não te definem e não precisam governar desregradamente o seu comportamento.
Durante fases de perda e dor profunda, é comum nos rendermos ao desejo de fuga. Nem sempre a rota escolhida é a melhor opção, por isso, a importância da pausa intencional, da consciência de que não somos os nossos pensamentos e sentimentos. Talvez ainda mais importante, é entender a origem do nosso luto: presente e passado.
Hoje já aceitamos melhor que somos seres reagindo a traumas acumulados, a padrões repassados pelas pessoas que nos geraram e nos criaram. Nós sabemos, e nos permitimos, viver o luto da morte física, mas não o da rejeição, do abandono. Precisamos falar mais sobre os diferentes tipos de luto, e fases do perdão, que impactam a nossa saúde e bem-estar.
Quando me conheço não me ofendo facilmente e melhoro o meu mundo – interno e externo. Até mesmo a dor do abandono perde parte do seu impacto.
Não se engane, isso não significa que exista uma forma de aniquilar a dor, pelo menos não se você tem um cérebro saudável. O autoconhecimento te ajuda a entender que o abandono não é sobre você, e caso seja, você entende a sua responsabilidade e se realinha, ajusta a rota e libera perdão: para você e para os demais envolvidos.
A dor é obrigatória, o sofrimento não. Não há justificativa que anule a dor do abandono ou do abuso, seja em um relacionamento amoroso, social ou familiar. Não insista em procurar por uma e prolongar ainda mais o seu limbo.
Por experiência própria e o enfrentamento de duras consequências, te asseguro que a resposta, caso exista, não restitui o tempo perdido, nem elimina o sofrimento vivido e as suas consequências em nossa alma.
Por anos busquei por justiça, culpados, porquês. Além de não encontrar razões plausíveis, perceber que quem me feriu seguiu a vida como se nada tivesse acontecido, me levou a um estado ainda mais sombrio, somatizando em dores e doenças que quase custaram a minha vida. Sem contar as pessoas que, sem perceber ou me desculpar, também passei a ferir no processo.
Estar a beira da morte me ensinou algumas lições importantes sobre a vida, especialmente sobre a necessidade, fases e benefícios do perdão. Espero que esse testemunho te ajude a não trilhar o mesmo caminho ou, caso eu tenha chegado tarde demais para evitar, que te ajude a pivotar e recomeçar.
Por mais que acreditemos saber, a verdade é que não conhecemos os “porões” das pessoas ao nosso redor. Muitas vezes, nem elas conhecem. Assim, seguimos pela vida reproduzindo comportamentos que deixam um rastro de destruição por onde passamos, a começar pela autodestruição. O que nos leva ao perdão e o seu poder restaurador.
Antes de prosseguir, outro alerta importante: perdoar não significa reintegrar a pessoa em nossa vida. Reintegração requer arrependimento e mudança, o que nem sempre acontece. Perdão é sobre você, não sobre o outro.
Perdão: Fato x Impacto
Honestamente, eu nunca consegui entender ou perdoar fora do princípio da cruz, o que só aprendi aos 36 anos!
Mesmo quando acreditei estar em paz e ter aceitado/perdoado o passado, de tempos em tempos, me pegava sofrendo por não encontrar explicação para alguns abusos sofridos.
Ano após ano, sempre o mesmo ciclo de dores, lamentações e novas perdas. Até que em janeiro de 2024, um encontro com Jesus mudou completamente a minha perspectiva.
Passei alguns dias chorando e perguntando a razão para algumas traições que estavam destruindo a minha alma e nada de resposta ou alívio. Até que um dia, Jesus me levou a momentos antes da Sua crucificação e me mostrou tudo de errado que eu havia feito na vida, mas, que apesar de tudo, ao me olhar, Ele só enxergava a cruz vazia e o perdão gerado através dela.
E assim, em poucos minutos, o fardo de anos desapareceu. Aquela foi a primeira fase do perdão: a decisão.
Se você crê em Jesus, perdoar não é uma opção, é uma necessidade. Necessidade essa que desaparece com o tempo, pois, ao caminhar com Ele, nem sequer tomamos mais ofensa. Se você não crê, faça do perdão uma decisão, uma resposta padrão visando manter a sua paz de espírito.
Amar ao próximo é mandamento, não é sobre merecimento. Também não é sobre gostar ou conviver, o que traz um grande alívio – mas falamos disso em um outro momento.
Uma vez concluída a etapa da decisão, passamos para a segunda fase: o processo de cura e ressignificação do impacto gerado em sua vida.
Entender que se curar é um processo, faz toda a diferença na forma como abraçamos as nossas emoções, em como construímos um futuro de paz apesar do passado de guerras. Ao abandonar a ideia de perfeição, em nós e nos outros, simplificamos o processo de ressignificação e de reconstrução da nossa identidade.
Da mesma forma que o primeiro dia de dieta não elimina automaticamente o resultado de uma vida comendo fast-food, a decisão de perdoar não apaga o impacto físico, material ou emocional causado; restituições podem se fazer necessárias. Anos de abusos e sofrimento não desaparecem da noite para o dia. Salvo caso ocorra alguma intervenção sobrenatural!
A decisão de perdoar depende apenas de você, o processo de cura pode requerer ajuda profissional, fé, mudança de ambientes, entre diversas outras formas de suporte, e está tudo bem. Não precisamos passar pela vida sozinhos, nossas redes de apoio são cruciais para uma vida saudável, afinal, somos seres sociais e sociáveis.
Da próxima vez que os seus sentimentos de culpa e raiva tentarem mentir sobre quem você é, escolha perdoar, a começar por você. Pause, peça ajuda, elimine a vergonha e o medo. Todos nós fizemos o melhor que podíamos com o que recebemos, isso não significa que a forma como reagimos no passado, segue sendo a melhor hoje.
Preste atenção em seu coração: como você tem reagido às frustrações da vida? Perdoe, peça perdão. Invista na sua transformação, abandone o seu plano de fuga. Liberte-se e amplie os seus horizontes, há um mundo de possibilidades esperando o seu novo você!
Autoconhecimento x O Preço da Fuga
Se conhecer dói. Reconhecer a sua responsabilidade em muitas das suas dores e perdas, também. Mas sabe o que dói mais? Seguir ignorando os sinais, mergulhando na próxima distração sem pensar na conta que um dia chega.
Nada na vida melhora sozinho, crescimento requer intencionalidade. Por anos eu escolhi fugir usando o estudo, o trabalho, a próxima viagem, as compras sem fim, os muitos “me mimei” da vida, sem nunca encontrar paz.
No início foi fácil enganar o corpo e a mente. Com o tempo, a alma falou mais alto e os gastos não eram mais por prazer, mas por necessidade médica. Ainda assim, me recusei a parar e a pensar na vida, a reconhecer os meus padrões destrutivos, a me afastar, a estabelecer limites saudáveis.
Felizmente, reconsiderei antes de ser tarde demais. Por um tempo, o processo de ressignificação doeu ainda mais na alma, mas valeu a pena assumir o controle consciente da minha vida. Investir no autoconhecimento e no desenvolvimento da minha fé salvou o meu futuro!
Sim, são muitas perdas irreparáveis acumuladas, mas nada apaga o prazer do aprendizado e da sabedoria acumulada, que hoje me possibilita ajudar outras pessoas a se desviarem de alguns dos caminhos que eu trilhei.
Desejo que você tenha a coragem de se conhecer e de ser tudo o que foi criado/a para ser nesse mundo. Alguém pode estar esperando pelo seu exemplo e coragem de recomeçar. Descubra quem você é, e que seja de PROPÓSITO!
See ya! o/