A Mulher do Fluxo de Sangue
A “mulher do fluxo de sangue” é uma personagem bíblica mencionada nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas (Mateus 9:20-22, Marcos 5:25-34 e Lucas 8:43-48). Ela sofria de uma hemorragia há doze anos e, ao tocar na roupa de Jesus, foi curada por sua fé.
Resumo da história: a mulher, que sofria de hemorragia há 12 anos, gastou todos os seus recursos com médicos sem obter cura. Certa vez, ao ver Jesus, ela acreditou que apenas tocando em Sua roupa seria curada.
Apesar da multidão ao redor, ela se aproximou e tocou na roupa de Jesus, sendo instantaneamente curada. Jesus, sentindo o poder sair Dele, perguntou quem O havia tocado – falaremos mais sobre isso daqui a pouco.
A mulher, reconhecendo que não podia se esconder, confessou o que havia feito e foi declarada curada por sua fé. A história destaca a fé e a busca por cura, demonstrando que a fé em Jesus pode trazer transformação.
Falando como alguém que luta contra algumas questões de saúde complexas há exatos 12 anos (outras ainda há mais tempo que isso), e que passou por terríveis 100 dias de hemorragia em 2019, se a história fosse apenas sobre o que está no resumo, já seria o suficiente para eu seguir acreditando em milagres e no poder sobrenatural de Jesus.
Estudando mais a Bíblia, e ouvindo mestres falar sobre essa história ao redor do mundo, descobri algo ainda mais incrível! Sim, Jesus se importa com o sobrenatural, com milagres e com a salvação da nossa alma, mas não para por aí.
Ele também se importa com o natural e com a qualidade da nossa vida desse lado da eternidade. Para além do milagre óbvio, a história da mulher do fluxo de sangue, quando plenamente compreendida, se torna uma incrível fonte de cura para a nossa alma.
Tanta coisa poderia ter dado errado nessa história. Você já pensou sobre isso?
Toda mulher, durante a menstruação, se tornava impura. O mesmo ocorria, até o fim da tarde, com todos que ela tocasse; o que por si só já trazia muitas implicâncias para a vida (social, profissional, religiosa…) dos envolvidos.
Agora imagina a raiva de todos os possíveis “contaminados” que ela deixou pelo caminho. E o próprio Jesus, quais garantias ela tinha de que executaria com sucesso o seu plano? Como a multidão que o seguia reagiria ao reconhecê-la?
Podemos listar algumas dezenas de coisas que poderiam dar muito errado, mas esse não foi o foco dela. O que nos ensina que também não deve ser o nosso, quando a vida nos apresentar situações que parecem intransponíveis.
Uma lição sobre vulnerabilidade
Ao ignorar o julgamento alheio e avançar com o plano que findaria todo aquele sofrimento, ela nos ensina sobre o poder da vulnerabilidade. E aqui chegamos a aspectos dessa história que não ouvimos ou falamos com tanta frequência quanto deveríamos.
Sim, ela ficou vulnerável e sujeita a muitas penalidades, incluindo a possibilidade de não conseguir tocar as vestes de Jesus. E ela não foi a única, de modo a curá-la por inteiro, corpo e alma, Jesus também precisou escolher estar vulnerável.
Considerando a intimidade de Jesus com Deus e com o Espírito Santo, bem como as Suas falas cheias de sabedoria, perguntar “quem me tocou” revela mais do que a intenção de tornar o milagre público.
Jesus é a pura verdade, não há mentira Nele, tampouco coisas ocultas para Ele. Caminhou na terra modelando como deveria ser o nosso relacionamento com o Espírito Santo e no que isso implicaria.
Perguntar quem O havia tocado, em meio a uma multidão, além de colocar a Sua sanidade em questão, demonstra uma limitação estratégica, momentânea e intencional, de modo a cumprir um propósito maior.
Jesus sabia da cruz, da negação de Pedro e da traição de Judas. Você acha mesmo que Ele não saberia de todo o resto que faria por aqui? Que precisaria perguntar “quem me tocou?”
Jesus sabia que a pessoa curada (afinal saiu poder Dele) estava feliz, mas aterrorizada, traumatizada, com a alma esmagada e, provavelmente, sem a menor intenção de se revelar publicamente.
Jesus exaltou outras pessoas na Bíblia, como João Batista, por exemplo. Mas o que acontece nessa história é ainda mais emocionante: ela foi a única mulher que Jesus chamou de filha na Bíblia. Imagina o impacto dessa fala!
Jesus não limitou a revelação recebida do Espírito Santo sem razão. Ele não precisava parar ou tornar público aquele momento, afinal, Ele estava prestes a ir ressuscitar uma criança. Mas a mulher precisava.
Aquela mulher havia perdido completamente a sua identidade, o seu lugar na sociedade, propósito e valor. Sem recursos e com o currículo dos últimos 12 anos, apesar da cura física, que garantia ela teria de uma reintegração, de pertencimento?
Jesus estava a caminho de servir uma das pessoas mais importantes da cidade, ainda assim, Ele certificou-se de demonstrar que aquela mulher era tão importante quanto. Demonstrou que, para Deus, toda vida importa.
Imagina o Criador do Universo, em carne e osso, olhando dentro dos seus olhos e te chamado de filha, te certificando de que está tudo bem! Ela já sabia da cura física, Ele também. Aquele momento foi sobre a sua cura emocional e pertencimento.
É isso que Jesus quer fazer por cada um de nós hoje. Após a cruz, todos que creem com fé na morte e ressurreição de Cristo, são adotados e chamados de filhos e filhas, passam a pertencer a uma família eterna.
A Bíblia não é sobre religião, nunca foi. As histórias registradas escondem tanta sabedoria e amor, basta “passarmos mais tempo” lendo e convidando o Espírito Santo para nos revelar os segredos ocultos nas entrelinhas.
Ainda não recebi todas as curas que gostaria, mas já fui chamada de filha, fui curada do que colocava em risco a minha vida e sigo com fé, com a certeza de que Deus está no controle e sabe o tempo certo para todas as coisas.
Assim como Jairo precisaria testemunhar aquele milagre para continuar crendo na cura de sua filha, alguém pode precisar ouvir a nossa história de fé e resiliência para seguir acreditando em milagres.
A mulher sofria há 12 anos, a menina tinha 12 anos. Ambas tiveram a vida completamente transformada após um encontro com Jesus. O pai intercedeu pela filha natural, Jesus chamou a mulher de filha e a confortou.
As muitas lições e “coincidências” escondidas em poucas linhas, são um lembrete de que não estamos sós, de que há nada impossível para um coração que crê e se permite estar vulnerável ao pés de Jesus.
Seja qual for a sua dor, Jesus está esperando o seu toque para liberar o poder necessário. Ouse acreditar!
See ya! o/